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03.06.2015 - 23:37  |  Campeonato Amazonense 2015

Pais de jogadores e dirigentes de clubes dizem que pagamento deve ser feito na conta única do Estado

portal d24
Manaus - Revoltados com as cobranças de taxas de quadro móvel para utilização dos estádios Ismael Benigno (Colina) e Carlos Zamith, nos jogos do Campeonato Amazonense de Juniores, os clubes participantes do torneio decidiram parar  a competição, por duas semanas.
 
Segundo denúncia de testemunhas presentes ao jogo entre Iranduba e Manaus FC, no Estádio Carlos Zamith, no último domingo, um funcionário da Fundação Vila Olímpica (FVO), responsável pela administração da praça esportiva, cobrou  R$ 350  e emitiu um recibo, com sua própria assinatura, em papel, referente ao valor.
 
Dos cinco jogos de Juniores previstos para acontecer, no fim de semana, os dois que sofreram com a confusão foram no Zamith. No primeiro jogo, no sábado, o Rio Negro se recusou a pagar a ‘taxa de quadro móvel’ (funcionários que trabalham durante os jogos) e perdeu para o Sul-América por W.O, alegando que o funcionário da FVO, responsável pela cobrança, não oferecia nenhum tipo de recibo ‘oficial’, vindo da instituição.
 
No domingo, o problema foi parecido.  O Iranduba, mandante do jogo, não se opôs a fazer o pagamento do valor, mas pessoas no local da partida questionaram a forma como a cobrança foi feita. De acordo com o pai de um dos jogadores, que pediu para não ser identificado, o pagamento foi feito em dinheiro vivo e o comprovante oferecido pelo funcionário da FVO, identificado como Raniere Parente, não tem valor legal, o que, segundo ele, vai contra o Decreto Estadual 11.688/88 que, no Art. 2º, diz: “A arrecadação e o recolhimento de receitas estaduais, efetuar-se-ão por meio de formulários padronizados, de uso obrigatório, de acordo com instruções aprovadas em ato próprio do Secretário de Estado da Fazenda”.
 
Procurado pela reportagem, Parente alegou que agiu em função de uma ordem da FVO quando fez a cobrança do dinheiro,  mas  por conta própria ao emitir o recibo, que teria sido dado a pedido do time de Iranduba.
 
A FVO informou, por meio da assessoria de Comunicação, que desconhece o recolhimento dos R$ 350 por parte do funcionário e do recibo emitido no momento do pagamento. “Talvez eles não tenham conhecimento do recibo em si, mas a cobrança do dinheiro foi feita como representante e funcionário da FVO. Tudo que faço na administração do estádio é em função e ordem da FVO. Não tenho autonomia para decidir nada”, afirmou Parente.  
 
Na tarde desta terça-feira (2), a FVO enviou nota de esclarecimento informando que é papel da Federação Amazonense de Futebol (FAF) servir de intermediária no pagamento do quadro móvel. “Inicialmente, cabe esclarecer que a FVO não recebeu e nem recebe qualquer tipo de pagamento a título de quadro móvel. Portanto, não há nenhuma possibilidade de ‘Caixa 2’ nesta ou em qualquer outra situação similar.
 
Cabe aos clubes o pagamento do ‘quadro móvel’, com intermediação da Federação Amazonense de Futebol (FAF), que é a entidade organizadora dos eventos esportivos futebolísticos no Estado. A participação do Governo do Amazonas se limita única e exclusivamente à autorização de utilização do campo, por meio de alvará para os campeonatos. Isso é feito sem nenhum ônus para os clubes”, diz o comunicado.
 
Nesta briga de transferência de responsabilidades entre FVO e FAF, o diretor técnico da federação, Ivan Guimarães, reiterou que o recolhimento do dinheiro da taxa de ‘quadro móvel’ “nunca” foi serviço da entidade local de futebol. No regulamento dos Juniores, a única taxa especificada é do quarteto de arbitragem, que custa R$ 350. 
 
“Os árbitros recebem o valor direto, o árbitro central recebe o pagamento e assinam o recibo cada um deles para entregar aos clubes. Eu sei que isso não é ilegal, mas sobre o quadro móvel, não posso entrar no mérito. A FVO quer jogar para cima da federação, mas não é responsabilidade nossa. Os dirigentes dos clubes querem saber, como é na arbitragem, quem são os funcionários que recebem o dinheiro do quadro móvel. Não acho que seja o caso, mas quando temos pouco (dinheiro) tudo vira briga”, declarou Guimarães.
 
Clubes param Estadual e ameaçam ‘extinção’
 
Na manhã de terça-feira, na sede do Rio Negro, dirigentes da Associação dos Clubes Profissionais do Amazonas (Acpea) decidiram pela paralisação do Estadual de Juniores de 2015, por duas semanas. O motivo é a cobrança das taxas de quadro móvel no Estádio da Colina, no valor de R$ 450, e no Estádio Carlos Zamith, ao preço de R$ 350. 
 
Com o pedido de suspender o Sub-20, na qual a segunda  rodada começaria nesta quarta-feira, protocolado na FAF, a Acpea espera intervir ao governador José Melo para os times participantes do Amazonense de base ficarem isentos da taxa de quadro móvel. Esta foi a explicação do diretor técnico da federação, Ivan Guimarães. 
 
“Se não for possível (a isenção), os clubes vão extinguir o Estadual de Juniores, deste ano, e criar um torneio sem usar os estádios do governo do Estado. Apenas para definir o representante do Amazonas na Copa Norte Sub-20 e Copa São Paulo de Futebol Júnior”, explicou Guimarães.
 
Nesta quarta-feira, às 14h, na sede da FAF, no Centro, uma reunião da Acpea já pode definir qual medida será usada diante da paralisação.
 
 
 
fonte: Sarah Lyra/portal@d24am.com 
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