Inclusão é a Bola da Vez! O Presidente da Federação Amazonense de Futebol (FAF) e deputado estadual, Ednailson Rozenha, é defensor de causas inclusivas, principalmente para pessoas com Transtorno de Espectro Autista (TEA) e, por isso, a FAF é a primeira Federação de futebol do país a oferecer abafador de ruídos para torcedores com sensibilidade auditiva. A ação iniciou nessa terça-feira (02/05), na partida entre Manaus FC e Náutico (PE), válida pela Série C do Campeonato Brasileiro. Seis crianças entraram em campo com os jogadores do Gavião do Norte, cinco usaram os abafadores e uma entrou sem, pois tem hiperfoco em futebol, e optou por viver e ouvir cada detalhe de sua paixão.
Para o mandatário, mais do que um avanço, a iniciativa é a concretização da sua promessa em fazer dos estádios um lugar para todos.
"Fazer um futebol acessível para todos vai além da ação de presidente ou deputado, é uma questão de empatia e amor ao ser humano. Uma das nossas principais propostas para trazer o público de volta aos estádios é adaptar o espaço para receber os torcedores. O abafador é um acessório imprescindível para pessoas com espectro autista e nós temos consciência da importância dessa ação. O futebol é a união de corações apaixonados e todos merecem acompanhar e torcer pelo seu time”, ressalta, Rozenha.
Com várias propostas voltadas a acessibilidade e valorização de mulheres, povos originários e pessoas com necessidades especiais, essa iniciativa é mais um avanço da gestão “A floresta é a bola da vez”, que está na direção da FAF somente a quatro meses.
Exemplo em solo Baré
Conhecer para acolher é uma das premissas de qualquer situação e exclui toda ação que possa ser considerada preconceituosa, é o que garante a psicóloga, Valéria Abreu, da clinica Espaço Mais Saúde, que também parabeniza a FAF pela ação.
"Quando falamos de Transtorno do Espectro Autista, falamos de pessoas com suas individualidades que precisam ser adaptadas e inclusas onde querem estar. Para isso, é necessário conhecer mais sobre o assunto e evitar com que sofram qualquer tipo de tratamento diferenciado. O ato da Federação é um avanço, não só na acessibilidade quanto na representatividade. Esperamos que sirva de exemplo. O futebol é para todos", salienta a profissional.
Inclusão, Paixão e Futebol
Vale lembrar que no dia 02 de abril, Dia Mundial da Conscientização do Autismo, a Federação distribuiu, além de broches que representam apoio a pessoas com TEA, crianças com o Transtorno do Espectro Autista entraram com os jogadores em campo e entregaram o prêmio de Caboco do Jogo ao atleta destaque da partida.
As crianças que participaram da ação em abril e fizeram parte do momento histórico no futebol, na Série C do Brasileirão, são integrantes da Associação Mãos Unidas pelo Autismo (MUPA), que foi fundada em 2010, pela psicopedagoga, Socorro Santos, que também é mãe de uma criança autista. A MUPA desenvolve um trabalho específico com as crianças e adolescentes com transtorno do neurodesenvolvimento.
Para a presidente da MUPA, Jaciara Sales, despertar e incentivar paixões e, principalmente proporcionar momentos de felicidade às suas crianças é o principal objetivo. “Trabalhar com crianças que tenham espectro é uma forma de amor, é doação. É importante que elas explorem paixões, e o futebol é uma delas que proporciona alegria, mas também pode ser terapêutico e muito enriquecedor para crianças e seus familiares”, ressalta.
Atualmente a associação não governamental atende 250 famílias, com 24 profissionais que se voluntariaram, e disponibilizam o serviço de terapia psicológica, fonoaudiologia, psicopedagogia, educação física, natação, fisioterapia, entre outros.